O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Alexandre Padilha, que hoje “come, dorme e acorda” falando sobre pré-sal com deputados federais e senadores, observa que o principal desafio do País em termos de logística e infraestrutura para o pré-sal é criar uma nova indústria naval. Segundo o ministro, serão necessários, até 2013, 296 novas embarcações e 40 navios-sondas.
“Fundamentalmente vamos criar uma nova indústria naval. Ou seja, fortalecer bastante a nossa indústria naval. Isso significa novos estaleiros, investimento muito forte na produção de navios, plataformas, dutos”.
Outro desafio do Brasil para o novo negócio é discutir formas de financiamento e questões tributárias. “Inclusive o presidente [Lula] nos solicitou e montamos um grupo de trabalho no Conselho de Desenvolvimento [Econômico e] Social, liderado pelo presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Paulo Godoy, que tem construído sugestões para o governo e o Brasil sobre política industrial e inovação tecnológica para a exploração do pré-sal”.
Padilha não acredita em “surpresas” na votação dos projetos de lei do marco regulatório do pré-sal. “Viemos conversando com os líderes, seja da base aliada ou do conjunto de partidos, que têm mostrado muita simpatia na Câmara [Federal] e também no Senado às teses que o governo apresentou com os quatro projetos [de lei]. A ideia do modelo de partilha, do fortalecimento da Petrobras, a ideia de que o Fundo que vai captar as riquezas do pré-sal seja focado em poucos temas para que não haja uma dispersão desses recursos, e temas que dialogam com o futuro do País, que são os temas da educação, ciência e tecnologia, combate à pobreza, meio ambiente, cultural”.
A partir da aprovação do marco regulatório, explica, o governo poderá iniciar o processo de exploração do pré-sal. “A aprovação do marco regulatório permite que tanto a Petro-Sal criada, a ANP (Agência Nacional de Petróleo), o conjunto das instituições e o setor privado se organizem e se preparem para investir. Temos sentido muito fortemente o interesse do setor privado de investir no pré-sal, e muito tranquilo com o modelo de partilha, inclusive”.
O ministro das Relações Institucionais, respondendo pergunta do PortoGente, foi enfático ao negar que possa existir algum cenário mundial que torne o pré-sal caro ou inviável.
“A perspectiva da exploração é extremamente viável. São potenciais de altíssimo retorno e baixíssimo risco de exploração. Dentro dos 13 poços que já são concedidos para a Petrobras, a empresa identificou não só petróleo, mas óleo de boa qualidade em 87% deles, e 100% naqueles (poços) que ficam localizados na Bacia de Santos”.