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Sete setores da economia brasileira tiveram variação positiva nas vendas ao exterior em outubro, resultado que aponta uma melhora em relação ao desempenho que vinha sendo verificado nos meses anteriores, informou a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) no Boletim de Comércio Exterior.
De acordo com o documento, os setores que elevaram seus valores exportados foram: Máquinas para escritório e equipamentos de informática (28%), Celulose e papel (26%), Coque, refino de petróleo e combustíveis (13,9%), Produtos químicos (6%), Extração de minerais não metálicos (3,8%), Metalurgia básica (2,2%) e Agricultura e pecuária (0,4%).
Segundo o professor de comércio exterior da FIA, Celso Grisi, os setores cresceram em decorrência da recuperação de preços das commodities, com exceção a máquinas e equipamentos de escritórios que tiveram um aumento em razão de uma demanda específica para algum país em desenvolvimento.
Para Mauro Calil, professor do Centro de Estudos Calil & Calil, houve uma melhora dos países desenvolvidos como os Estados Unidos, com isso os setores voltaram a vender mais, mesmo com os preços mais baixos.
O documento ainda apontou que no acumulado dos primeiros nove meses do ano também houve queda dos valores exportados em todos os setores, com exceção do grupo Agricultura e pecuária, que registrou alta de 6,1% .
Do lado das importações o desempenho foi melhor, visto que cinco setores tiveram crescimento do valor importado em comparação com setembro de 2008: Produtos do fumo (68,8%), Extração de minerais não metálicos (26,8%), Pesca e aquicultura (19%), Produtos têxteis (6,3%) e Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (5,7%). Houve ainda um número significativo de setores que registraram crescimento de quantidade, com destaque para Extração de minerais metálicos (59,8%), Extração de petróleo (30,7%) e Extração de minerais não-metálicos (30,4%).
Calil afirmou que a diferença entre a quantidade importada e a exportada de petróleo, se estiver relacionada ao teste sobre o pré-sal, irá manter o superávit comercial brasileiro realmente alto.
"Se a diferença entre a compra e a venda for, em boa parte, relativa do pré-sal, tudo o que se fala sobre a descoberta e qualidade é verdade, conseguiremos manter um superávit muito grande, pois teremos um volume de capital absurdo mesmo que o preço do produto seja baixo", explicou.
As informações do Ministério do Desenvolvimento mostram ainda que em todo o mês de outubro as exportações tiveram queda de 23,9% em relação ao mesmo mês de 2008, e as importações mostram redução de 26,3%.
Diante de números abaixo do esperado a Funcex reduziu suas projeções para as exportações em 2009, de US$ 156 bilhões para US$ 154,5 bilhões e manteve a projeção para importações no ano em US$ 127 bilhões. Com isso, a previsão para o superávit comercial foi reduzida de US$ 29 bilhões para US$ 27,5 bilhões.
"Não há mais como reverter o quadro das exportações, a Funcex está coerente com a previsão. A possibilidade de erro é muito baixa. Contudo o superávit deve fechar em US$ 25 bilhões, na minha opinião, mas ainda pode atingir a meta deles", disse Grisi.
"Ainda mantenho o superávit em US$ 23 bilhões. A Funcex está recuando tanto pois há uma perda de competitividade em razão do dólar. Mas com relação as importações o número é válido pois estamos comprando mais", explicou Mauro Calil.
Ainda de acordo com o Boletim, a queda de 30,7% no valor das exportações em setembro foi liderada pela redução de 18,7% nos preços médios dos produtos vendidos ao exterior. Combinado a isso, houve diminuição de 15,1% na quantidade (física) das exportações.
A Funcex destaca que o pior desempenho na quantidade exportada foi a dos produtos manufaturados, com queda de 26,7%. Já os produtos semimanufaturados recuaram de 3,9% e os básicos de 4,6%. Os produtos básicos e semimanufaturados foram mais atingidos pelas quedas de preço, de, respectivamente, 23,1% e 28,9%. Já para os manufaturados, a queda de preços foi de 9,5%
As compras externas dos principais mercados importadores do Brasil caíram mais do que a importação mundial em agosto em relação ao mesmo mês de 2008, de acordo com a Fundação.
O índice de demanda externa efetiva, calculado pela Funcex para mostrar as importações dos principais mercados das exportações brasileiras, caiu 26,9% em agosto, enquanto o índice de importação mundial teve redução de 16,7% no mesmo período.
Com informações DCI |