27 de novembro de 2009
Maranhão e Bahia na disputa pelos estaleiros líderes do País PDFImprimirE-mail

05.06.08_sergio_mat.jpgA demanda por navios, no Brasil, é enorme. Segundo revelaram o vice-presidente do Sindicato dos Estaleiros (Sinaval), Franco Papini, e o secretário-geral da entidade, Sérgio Leal, em palestra na Câmara Brasil-Alemanha, nesta quarta-feira, no Rio. Os dados oficiais indicam 338 embarcações a serem encomendadas a curto prazo - com destaque para 146 barcos de apoio e 48 navios da Transpetro - mas podem crescer ainda mais. O Sinaval abriu mão de construir 12 navios-sonda, mas pretende construir os restantes 28.

- E esses dados não incluem a demanda dos campos do pré-sal - alertou Papini.

Com isso, haveria risco de a capacidade total de processamento de aço - que é de 630 mil toneladas anuais - ser atingida, pondo o setor sob críticas, de que quer abraçar mais obras do que pode suprir. Mas Papini e Leal contra-argumentam com a entrada em cena de novos estaleiros de grande porte.

O maior estaleiro do Brasil será, em breve, o Atlântico Sul, de Suape (PE), com capacidade de produzir navios de meio milhão de toneladas; desde que foram iniciadas as obras dessa unidade, os investidores já anunciaram novas expansões e a capacidade anual de processamento de aço do Atlântico Sul será de 160 mil toneladas. Também está em construção um grande estaleiro da W.Torre em Rio Grande (RS) que, embora só vá fazer plataformas, aumentará a oferta geral da construção naval. No Sul também está sendo implantado o Quip - da Queiróz Galvão - e a poderosa Odebrecht comprou o estaleiro GDK, na Bahia.

E informou Franco Papini:

- OAS e Setal revelam que seu estaleiro da Bahia será maior do que o Atlântico Sul. E o governador do Maranhão, Jackson Lago, declarou que o estaleiro a ser montado no Maranhão irá superar a todos os concorrentes.

Assim, vê-se que, diante da extraordinária demanda, a cada dia há ações para elevar o potencial do setor, com a criação e expansão de novos estaleiros. Além dos citados, de maior porte, serão implantados no Rio os estaleiros Aker-Quissamã, Mac Laren-Quissamã e Renave-Enavi, este último pretendendo aliar construção a sua atividade normal de reparos. O Aliança, de Niterói, anuncia expansão e na área do antigo Caneco pretende-se implantar o Rio Nave.

Quanto ao Rio Naval, que ganhou encomendas de US$ 850 milhões da Transpetro e não conseguiu equacionar problemas quanto a terreno e equipamentos, caso deixe de construir supernavios irá optar pelo mercado de barcos de apoio. Sobre um propalado estaleiro junto ao porto de Itaguaí (RJ), técnicos do setor desconhecem o tema, acreditando-se que seja apenas um factóide de políticos fluminenses.


ESPECIALISTA DEFENDE LICITAÇÃO PARA PORTOS

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Fleury é um dos maiores especialistas em logística no país. É diretor do Centro de Estudos de Logística dessa universidade e preside o Instituto de Logística e Supply Chain. É ainda PhD pela Universidade de Tecnologia de Loughborough, da Inglaterra. Foi um dos principais conferencistas do XIV Forum Internacional de Logística, realizado no Rio de Janeiro.

No ano passado, o estudo sobre portos, coordenado por Fleury, causou rebuliço em todo o país.

- Quisemos detectar o que havia de bom e ruim nos portos e concluímos que a situação era, e é, preocupante, pois há muito mais coisas negativas do que positivas no sistema - diz.

Apesar das seguidas afirmações do ministro dos Portos, Pedro Brito, de que as dragagens estão sendo ultimadas pelo Governo federal, afirma:

- O acesso rodoviário aos portos é muito ruim. E, por mar, a necessidade de dragagem é comum a todos os portos nacionais. E cabe ao governo garantir a infra-estrutura necessária - revela.

Sobre Santos - o mais expressivo porto nacional - destaca que nunca teve um plano diretor e que os terminais estão espalhados por toda a área, obrigando os embarcadores a longos trajetos para se dirigirem a diversos locais. Comenta que, internamente, o porto é altamente congestionado, com caminhões se chocando nos trajetos. Em relação ao projeto de expansão do porto, Barnabé-Bagres, fulmina:

- Não é um projeto, é uma idéia, um desenho. Só agora se terá efetivamente um projeto. Não posso dizer se será ou não solução para o porto, pois teria de ver o estudo.

Em relação à polêmica sobre se devem ou não ser autorizados novos portos, a investidores, esclarece:

- O Brasil precisa muito de investimento privado, mas não se pode autorizar portos à vontade. O Brasil não precisa de muitos portos, mas carece de alguns de grande porte, para poder receber os meganavios que estão surgindo no mundo. Se a questão fosse apenas de autorizar pessoas com dinheiro a investir, seria errado.

No caso de Eike Batista, que quer fazer um porto bilionário próximo a Santos, afirma Fleury:

- O governo poderia aceitar a indicação de Eike ou de outros empresários e abrir licitação para todos participarem. Não se pode permitir a criação de portos sem licitação, pois são empreendimentos que extrapolam o interesse privado e exigem enormes gastos de governo.

E completa:

- Licitação é salutar e não faz mal a ninguém.

Para Fleury, na linha de contar com portos de grande potencial, para receber navios como o gigante Emma Maersk - que de uma só vez transporta 13.000 contêineres - o País poderá contar com o porto fluminense de Itaguaí.

- Itaguaí era um diamante em bruto, agora já descoberto pelo mercado e prova disso é que há muitos pedidos para novos terminais. Santos é um porto fundamental para o Brasil, mas precisa de dragagem urgente, para poder ampliar sua capacidade.

Afirma que o Porto do Rio tem acesso rodoviário horrível, mas poderá crescer, com base em inteligente projeto para sua expansão, que prevê aumento da área para containeres.

Fleury vê com bons olhos o Arco Rodoviário fluminense, que irá modernizar o acesso rodoviário, mas afirma que isso obrigará a rodovia Nova Dutra, do grupo CCR, a investir.

- O traçado de descida da Serra das Araras é incompatível com um Brasil moderno. Se os concessionários se recusam a investir nesse trecho, acabarão sendo forçados, diante do aumento de tráfego a ser gerado pelo Arco Rodoviário.

Com relação à previsão de se movimentar, este ano, menos contêineres do que em 2007, Fleury afirma tratar-se de simples acomodação e que o comércio exterior continuará a crescer. Comenta que, mesmo para os níveis atuais, os portos já são insuficientes.

Por fim, comenta que, nos Estados Unidos, a operação comercial privada de logística é perfeita, mas a infra-estrutura oferecida pelo governo deixa a desejar. Ele diz que o sistema europeu, com mais interferência estatal, é positivo para a área de infra-estrutura.

- Infra-estrutura é como educação. Precisa da mão do governo.


O ENIGMA
Sérgio Salomão, presidente da Abratec - entidade que reúne os atuais terminais de contêineres - revela que, no ano passado, o Brasil operou 4.399.073 contêineres e, para este ano, a previsão é 4.838.980 unidades, ou seja, um aumento quase irrelevante. No entanto, técnicos explicam que a exportação está contida e a importação sobe mais. No entanto, os contêineres de importação passaram a usar os contêineres antes vazios - que já eram computados na estatística.


PLATAFORMA NO SUL
O consórcio Queiróz Galvão-Iesa foi o grande vencedor de licitação da Petrobras para montagem da plataforma P-55. Em segundo lugar ficou a francesa Technip, em associação com STP e grupo Keppel Fels. Muito atrás, ficou a baiana Odebrecht. O valor da obra é de US$ 887 milhões. Incluindo os demais contratos já assinados, a P-55 vai custar US$ 1,8 bilhão. Qualquer que fosse o ganhador da concorrência, a montagem teria de ser feita no dique da W.Torre/Petrobras, no Rio Grande do Sul; no entanto, se a vitória fosse da Technip, pelo menos uma parte seria montada em Angra dos Reis (RJ). Os grupos perdedores terão de se empenhar atrás de novas encomendas.


CONTRA O TEMPO
Informa-se que o maior fundo de pensão do Brasil, a gigante Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, está com pressa. A fundação está encontrando dificuldades para obter autorização, da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina ( APPA), para movimentação de fertilizantes no terminal de Ponta do Félix. Sem isso, a canadense Potash Corporation of Saskatchewan (PCS) poderia não confirmar proposta de R$ 90 milhões pelo terminal, segundo comenta a carta econômica Relatório Reservado.

No caso, nada se pode prever, pois onde há o dedo do governador Roberto Requião, tudo pode acontecer. Ao que se sabe, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, tem mantido contatos com o governo paranaense, em favor da Previ, mas até agora sem resultado concreto.


REBOCADOR E FERRY
Quem está comemorando 30 anos é a empresa de rebocadores Sul Norte, do grupo H. Dantas. Uma das comemorações será a incorporação à sua frota de um rebocador azimutal. O novo rebocador de apoio portuário e reboque oceânico de propulsão azimutal será batizado como "SN Jatobá" e sairá do estaleiro Santa Cruz - também do grupo - em Aracaju (SE) para Santos, onde irá operar. Haverá festa dia 28, no porto santista.

Há festa também na Bahia, onde acaba de ser lançado o ferry boat - chamado de Fast Ferry "Ivete Sangalo", construído pelo estaleiro TWB. Será a primeira embarcação movida a gás natural da América Latina. O novo sistema de abastecimento da embarcação, que fará a travessia marítima de passageiros e veículos entre Salvador e a Ilha de Itaparica, contribuirá para diminuir o tempo de viagem e reduzir a emissão de gases poluentes pelo ferry boat.

O sistema de abastecimento pioneiro é uma mistura de 70% de gás natural e 30% de diesel e teve sua tecnologia desenvolvida totalmente no Brasil. A Bahiagás e Petrobras investiram um total de R$ 1,427 milhão em pesquisa e desenvolvimento do projeto, por meio da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. O projeto do ferry boat é australiano, assinado pela SeaTransport Solutions e pelo projetista Stuart Ballantyne.

Em comparação com o diesel, a mistura diesel-gás vai permitir uma diminuição na emissão de gases como de dióxido de carbono, em 20%, e de óxidos de nitrogênio, em 50%.

  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS
  • MAIS LIDAS
  • TAG'S
 RSS  |  Política de Privacidade  |  Perfil da Empresa  |  Contato